O tiebreak bagunçado de Alcaraz em Viena não é motivo de pânico, mas Paul é teste de verdade
Alcaraz sobreviveu a um tiebreak de 13-11 em Viena sem dominar a partida inteira, e tudo bem; a verdadeira pergunta são as quartas de final contra Tommy Paul.
Imagem gerada por IA
Um jogador que vence por 6-1 em 29 minutos e depois precisa de um 13-11 no tiebreak para fechar a partida está em apuros? Achamos que não. Mas Carlos Alcaraz em Viena levanta uma pergunta mais interessante: estamos vendo um campeão cuja forma está voltando ou um que se vira no talento enquanto o resto não chega?
Um set impecável, depois uma montanha-russa
Segundo o Metro Puerto Rico, Alcaraz venceu Nikoloz Basilashvili por 6-1 e 7-6(11) e chegou às quartas de final. O primeiro set durou 29 minutos: nove winners, dois erros não forçados e apenas quatro pontos perdidos no próprio saque. Aí o segundo set virou. Basilashvili devolveu a quebra, Alcaraz somou 11 erros não forçados e, no tiebreak, o georgiano chegou a abrir 4-1 e teve quatro set points. O espanhol salvou três, desperdiçou três chances de fechar e finalmente conseguiu.
O próprio Alcaraz definiu o tiebreak como "uma montanha-russa", conforme relata a Eurosport. Não conseguimos melhorar essa descrição.
Um tiebreak tão longo diz tanto sobre o adversário quanto sobre o favorito
A leitura fácil é "Alcaraz desligou". Talvez. Mas um tiebreak de 13-11 exige dois jogadores. Basilashvili, número 85 do ranking, achou seus primeiros serviços e passou a bater solto, e às vezes isso basta. A leitura sensata, na nossa opinião, é que Alcaraz jogou um set quase perfeito e outro bem humano, e que a distância entre as duas versões é grande porque o melhor nível dele é muito alto.
O contexto também pesa. Ele ficou quatro meses e meio fora por uma lesão no punho direito e, como observa o que.es, segue invicto em torneios ATP 500 neste ano, com títulos em Doha e Tóquio. Parecer dominante não é a descrição do cargo. Vencer é. Perder esse tiebreak e ser arrastado a um terceiro set teria virado notícia. Escapar é o oposto de notícia, mesmo que tenha sido feio.
Onde teríamos cautela: as quedas de rendimento
Nada disso significa que devemos ignorar o que o segundo set mostrou. O mesmo texto do que.es resume bem: quando ele acelera, não há jogo; quando alivia, a coisa complica. É um traço simpático em outubro contra um adversário número 85. Contra jogadores melhores, um trecho de tênis displicente como o que levou o segundo set de 2-0 a 3-3 pode custar um set e, às vezes, a partida.
Tem também o corpo. O que.es lembra que uma lesão no punho como a dele pode deixar marcas no saque e no backhand slice, e, para nós, esse é o tipo de problema que não se anuncia no placar. Provavelmente aparece em jogos longos, e Viena é disputado em quadra coberta e dura, onde jogos longos são sempre possíveis. Cada rodada soma desgaste, e a equipe terá de decidir se força ou se poupa energia para a reta final. Nós tenderíamos a poupar, mas é uma opinião de fora do vestiário.
Paul é o teste de verdade
As quartas de final contra Tommy Paul, número 14 do ranking, estavam marcadas para sexta-feira, 30 de outubro, não antes das 15h30, segundo o 20minutos. A documentação que temos não traz resultado, então vamos dizer o que vamos observar em vez de chutar um.
Primeiro, se o Alcaraz do primeiro set aparece, ou pelo menos se fica por mais tempo. Um 6-1 e um segundo set instável podem ser explicados pelo jogo do adversário. Se a versão desleixada aparecer contra um rival mais forte, será o sinal de que a forma dele ainda não voltou por completo. Segundo, como ele se comporta com o placar igual. Salvar set points num tiebreak é sangue frio, mas desperdiçar três chances de fechar é algo a corrigir. Terceiro, o saque nos momentos apertados: se aguentar a pressão, a preocupação com o punho diminui.
Nosso veredito
Sem pânico por causa do tiebreak. Foi um susto, não um diagnóstico. O histórico é a melhor evidência: uma sequência invicta em torneios ATP 500, uma longa parada e um jogador que continua vencendo mesmo assim. Parece talento com instinto competitivo por trás, não talento sobrevivendo na sorte.
Mas é no jogo contra Paul que o "ele voltou?" vira resposta. Se Alcaraz vencer mantendo o nível durante a partida inteira, o susto contra Basilashvili vira nota de rodapé. Se vencer de novo por pouco, ainda chamaremos isso de vitória, mas começaremos a perguntar se o corpo dele aguenta até o fim da temporada.
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