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A despedida de Wawrinka em Lyon prova que o tênis ainda precisa de histórias humanas

A dramática vitória de Stan Wawrinka em Lyon mostra o valor das despedidas emocionantes — desde que a longevidade seja celebrada sem confundir nostalgia com retorno.

Publicado
21 de outubro de 2026
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Foto: The hotel photographer was not credited. It was taken next to a footbridge (far / Wikimedia Commons (Public domain)

O que uma despedida significa no tênis quando o jogador se recusa a sair de cena em silêncio? A vitória de Stan Wawrinka na primeira rodada em Lyon oferece a melhor resposta possível: ela pode ser uma partida de verdade, com pressão de verdade, antes de se transformar em cerimônia.

Wawrinka derrotou Martin Landaluce por 6-3, 6-7, 7-6 no Lyon Open. O drama não foi decorativo. Landaluce salvou um match point de maneira espetacular, segundo o vídeo da partida no ATP Tour, e ainda assim a partida terminou com vitória de Wawrinka.

Essa combinação é importante. Wawrinka está dando continuidade a uma turnê de despedida, mas Lyon não precisou fabricar um fim para ele. A partida apresentou seu próprio argumento: o tênis de despedida é mais cativante quando emoção e competição podem coexistir.

A despedida funciona porque a partida veio primeiro

O tênis tem uma tendência particular a transformar despedidas em conteúdo. Um jogador entra em quadra, recebe uma homenagem, acena para o público, e o esporte rapidamente segue em frente. Esses momentos podem ser comoventes, mas ficam vazios quando a competição é apenas um pretexto para a despedida.

Lyon foi diferente, pelo menos com base nas evidências disponíveis. Wawrinka precisou sobreviver a três sets e a um tie-break decisivo contra um jogador cujo momento mais espetacular incluiu a defesa de um match point. O Yahoo Sports informou o resultado de 6-3, 6-7, 7-6, um placar que torna a história emocional crível, em vez de sentimental.

Esse é o padrão que o tênis deveria buscar. O público pode homenagear um veterano, mas o veterano ainda deve ser chamado a resolver um problema. Wawrinka não apenas recebeu o carinho de Lyon; ele o transformou em uma ocasião competitiva. Na nossa visão, é por isso que o momento parece valioso, e não encenado.

A longevidade merece respeito, não mitologia

A turnê de despedida de Wawrinka já o levou a saídas carregadas de emoção. Em Roland-Garros, ele perdeu na primeira rodada para Jesper de Jong por 6-3, 3-6, 6-3, 6-4, no que a RTS descreveu como sua despedida do torneio. No US Open, sua campanha terminou na rodada de abertura contra Matteo Berrettini, por 6-7(4), 6-7(3), 0-6, conforme informou o ATP Tour.

Esses resultados devem colocar a celebração de Lyon em perspectiva. Uma vitória não reverte o panorama mais amplo de uma turnê de despedida, e seria um erro tratar um capítulo final envolvente como prova de uma recuperação competitiva completa. A questão não é que Wawrinka tenha retornado de repente ao centro do esporte. A questão é que sua presença ainda confere um peso emocional incomum à sua participação em Lyon.

Essa distinção protege tanto o jogador quanto o público. Wawrinka não precisa da fantasia de um novo auge na carreira para justificar a atenção. Longevidade não substitui desempenho, mas desempenho também não é a única medida do valor esportivo.

O tênis deveria parar de se desculpar pelo vínculo emocional

As perguntas que circulam em torno da despedida de Wawrinka são reveladoras. Os fãs não estão perguntando apenas quem venceu ou como será a próxima chave. Eles também querem saber sobre as relações, os lugares e as memórias associadas a uma carreira. Um evento final de despedida planejado com Roger Federer, Andy Murray e Gaël Monfils acrescenta outra camada a esse interesse do público, segundo o Ouest-France.

Alguns puristas vão rejeitar isso como nostalgia ocupando espaço que deveria ser destinado a jogadores mais jovens. Essa crítica tem fundamento se eventos de despedida se transformarem em convites automáticos ou se o sentimentalismo se sobrepuser ao calendário esportivo. Mas o tênis não é apenas um sistema de rankings. Também é um esporte feito de memórias, e as lembranças mais fortes muitas vezes pertencem a atletas cujas carreiras fizeram os fãs sentirem algo além do resultado.

A resposta não é eliminar esses momentos. É enquadrá-los com honestidade. Um veterano pode ser celebrado sem ser apresentado como favorito ao título. Uma despedida pode ser importante sem fingir que toda partida representa uma volta por cima. E um torneio pode se beneficiar de uma história humana sem transformar o jogador em mascote.

Lyon oferece o modelo certo para um último capítulo

A despedida mais convincente não é a que tem a maior homenagem. É a que deixa espaço para a incerteza. Wawrinka pode perder sua próxima partida. Pode conseguir outra zebra. Qualquer uma das possibilidades é mais interessante do que uma cerimônia pré-escrita, porque a quadra ainda tem autoridade.

Essa é a lição que Lyon deveria deixar para o tênis. Mantenham os convites, os aplausos e as despedidas emocionantes — mas preservem o teste competitivo. Deixem que os veteranos conquistem os holofotes por meio da própria partida, e permitam que os fãs se importem sem lhes dizer que carinho equivale a uma posição no ranking.

Nosso veredicto é claro: o tênis deveria abraçar as turnês de despedida, mas não confundir nostalgia com retorno. A vitória de Wawrinka em Lyon funciona precisamente porque é as duas coisas ao mesmo tempo — uma vitória genuína e um lembrete de que as carreiras não são medidas apenas por suas estatísticas finais, mas também pelo sentimento que deixam para trás.

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