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O número 1 de Zverev é real, mas um desempate de 10 pontos não é um veredito

Zverev ultrapassou Sinner em um critério de desempate de dez pontos, com o italiano fora de quadra. O marco vale, mas diz mais sobre o ranking do que sobre quem é o melhor.

Publicado
29 de outubro de 2026
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3 min
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Foto: Daniel Cooper / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

É possível se tornar o melhor colocado do mundo ganhando um desempate por uma nota de rodapé do regulamento? Alexander Zverev acabou de fazer isso. E o mais estranho é que, mesmo assim, ele merece.

O que aconteceu em Viena

Na quinta-feira, Zverev venceu Tallon Griekspoor por 6-4 e 7-5 nas oitavas de final do ATP 500 de Viena. Isso lhe rendeu os 50 pontos de que precisava para empatar com Jannik Sinner em 9.450, segundo a Adnkronos. Ele se torna o 30º homem a liderar o ranking, e a mudança será oficial na segunda-feira, 2 de novembro.

O empate foi decidido pelos pontos conquistados em Grand Slams, nos Masters 1000 obrigatórios e nas ATP Finals. Como explica o Corriere dello Sport, Zverev lidera essa contagem por 8.360 a 8.350. Isso encerra a passagem de Sinner pelo topo, com 95 semanas como número 1, 29 delas consecutivas.

O ranking mede acúmulo, e tudo bem

Dez pontos. Essa é a margem que separa um feito histórico de um "quase, mas não". É um bom lembrete de que a tabela da ATP é um exercício contábil, não um julgamento sobre quem joga o melhor tênis. Ela premia quem aparece, semana após semana, e soma pontos enquanto outros não conseguem.

Sinner não consegue agora. Segundo relatos, ele está fora pelo resto da temporada por lesão, e o India Today associa a ausência a uma lesão no joelho desde Wimbledon. Zverev continuou jogando, continuou somando e ficou à porta: teve a chance de diminuir a diferença em Xangai, mas perdeu a semifinal para Alejandro Davidovich Fokina, então Viena foi a segunda tentativa. De acordo com o Corriere dello Sport, ele assumiria a liderança em 9 de novembro de qualquer forma, quando os pontos das ATP Finals saírem. Viena só adiantou a data.

Na nossa visão, essa é a leitura honesta: um número 1 construído com volume e presença, e Zverev o construiu bem. Regularidade é uma habilidade, não um detalhe técnico, e é exatamente o que um ranking de temporada inteira foi feito para premiar.

Mas ele não chegou aqui só por estar presente

Aqui nossa tese precisa de uma correção. Seria preguiçoso dizer que Zverev é apenas um beneficiário do calendário. O Leggo observa que ele venceu Roland Garros e o US Open neste ano, contra um único Grand Slam de Sinner. Não são pontos de torneios 250 conquistados na base da insistência. São os maiores prêmios do esporte, e o critério de desempate que os separou aponta justamente para esses torneios.

Portanto, o ranking não está premiando o calendário em vez da qualidade. Se muito, premia as duas coisas. Dois Slams, uma boa campanha em Xangai e presença constante semana a semana sustentam bem a tese de um número 1 de fim de ano, que já estava garantido, como lembra a AP. O próprio Zverev disse: "Ter a sensação de estar no topo do mundo é incrível."

O veredito terá de esperar um Sinner saudável

O que o ranking não consegue nos dizer é como se comparam um Sinner em plena forma e Zverev, porque a amostra está incompleta. Rankings contam o que aconteceu, e a ausência de Sinner faz parte do que aconteceu. Mas "melhor jogador" é uma pergunta sobre qualidade no confronto direto, e não dá para respondê-la com um dos dois de fora.

Nossa opinião: comemore. Um jogador de 29 anos que passou anos perto do topo, e que é o primeiro alemão nesse posto desde a era anterior de Boris Becker, segundo o India Today, conquistou o seu lugar. Mas o rótulo honesto é "número 1 de 2026", não "o melhor jogador vivo". O teste de verdade vem quando os dois estiverem saudáveis no mesmo Slam. Até lá, Zverev é dono do ranking, e Sinner continua dono da pergunta.

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