O título do Flamengo não será decidido pela paixão do clássico, mas pelo banco
Sem Alex Sandro e com Carrascal suspenso, o clássico com o Vasco é um teste de estresse para o elenco de Leonardo Jardim, e isso pesa mais que qualquer rivalidade.
Foto: Валерий Дед / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
Todo mundo vai dizer que um Clássico dos Milhões se decide no coração. Nós achamos que este será decidido pelo banco de reservas. O Flamengo tem a liderança do Brasileirão e uma recente eliminação na Libertadores nas costas, e a pergunta real da noite de quinta-feira é se o elenco de Leonardo Jardim consegue absorver desfalques sem que o nível da equipe caia.
Dois desfalques importantes e uma escalação ainda em movimento
O Flamengo visita o Vasco no Nilton Santos na 33ª rodada, com bola rolando às 20h, horário de Brasília. Segundo o Futebol Interior, o Flamengo lidera com 70 pontos, e o meio-campista Jorge Carrascal, autor do gol decisivo contra o Atlético-MG, está suspenso após o terceiro cartão amarelo. Danilo, Saúl e Valencia também não estão à disposição, de acordo com o dgabc.
Há ainda o caso de Alex Sandro. O ge, da Globo, informa que ele está fora por causa de um edema na coxa e que Ayrton Lucas assume a lateral esquerda. Algumas prévias anteriores ainda o apontavam como provável titular, ou seja, a escalação mudou até o último minuto. Emerson Royal deve substituir Guillermo Varela na direita.
O clássico é a parte fácil
Emoção não é o problema do Flamengo aqui. O próprio Jardim disse que clássicos são sempre jogos muito emocionais e que a missão do grupo é buscar os três pontos para seguir na liderança. Certo. Mas o contexto diz mais que o discurso: o clube foi eliminado da Libertadores nos pênaltis pelo Estudiantes e, desde então, venceu três jogos seguidos no campeonato. Sem a distração continental, o Brasileirão parece ser agora a temporada inteira.
Isso faz deste jogo um teste mais limpo do que parece. O Vasco, em 13º com 38 pontos, tem o time mais fraco no papel, além de um longo histórico de tropeços diante desse adversário: o Futebol Interior contabiliza 13 clássicos sem vitória do Vasco desde 5 de março de 2023. Se o Flamengo deixar pontos aqui, ninguém vai culpar a rivalidade. Vão culpar o rodízio.
E o que está em jogo é concreto. Depois do empate sem gols do Palmeiras com o Santos, uma vitória ampliaria a vantagem do Flamengo para três pontos. Um tropeço devolve essa folga. Numa reta final apertada, três pontos de diferença não são só aritmética: são um colchão psicológico.
Rodízio como seguro, não como crise
Não leríamos a ausência de Alex Sandro como um desastre. A lesão força a mudança na esquerda, mas a provável saída de Varela parece mais uma escolha do treinador: o Futebol Interior observa que tanto Varela quanto Alex Sandro ficaram abaixo do esperado contra o Atlético-MG. Ter Ayrton Lucas e Emerson Royal prontos é exatamente para isso que serve um elenco profundo. Se os substitutos forem um passo atrás, isso nos diz alguma coisa. Se não forem, diz ainda mais.
Carrascal é a perda mais difícil, porque meio-campistas criativos que fazem gols são raros. Ainda assim, Gonzalo Plata deve manter a vaga no time titular, e Arrascaeta, Jorginho e Pulgar formam um meio-campo que não deveria desabar. As reportagens que temos não dizem quais outros jogadores do Flamengo estão a um amarelo da suspensão (as manchetes falam em "pendurados", mas os textos que conseguimos ler não os listam), então não vamos fingir que os contamos. Mas o princípio vale: cada cartão num clássico é uma conta que chega numa rodada posterior.
O outro lado dessa história é o aperto do próprio Vasco. O Lance! destaca que Pedro Emanuel encara no domingo o jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil contra o Palmeiras e que Paulo Henrique e Andrés Gómez devem ser poupados por lesões leves. Um Vasco pensando no domingo pode ser menos feroz do que a história sugere. É uma brecha para o Flamengo, mas não uma garantia.
Nosso veredito
O Flamengo deve vencer este jogo, e provavelmente vencerá, só pela qualidade. Mas o número que importa não é o placar de quinta-feira. É quantos titulares Jardim ainda poderá escalar nas rodadas finais e se os reservas manterão o mesmo nível.
Nosso conselho a quem for assistir: ignore o barulho sobre a rivalidade e observe o lado esquerdo, a ligação do meio-campo sem Carrascal e os cartões amarelos. A reta final de um título premia o clube que chega ao fim da temporada com mais jogadores saudáveis e disponíveis, não o que vence na noite mais barulhenta. O Flamengo tem a liderança. Agora precisa provar que também tem banco.
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