Flamengo é o favorito, e a queda do Corinthians é um veredito
Com cinco rodadas para o fim, o Brasileirão premia elencos capazes de absorver a pressão. O Flamengo leva vantagem pelo título; a queda do Corinthians fala mais de gestão que de azar.
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Dá para ganhar um campeonato nas cinco rodadas finais com os seus melhores onze, ou com os jogadores que entram quando tudo fica tenso? A elite do futebol brasileiro está prestes a responder, e achamos que a resposta não é a que os melhores momentos sugerem.
Veja como as coisas estão. O Flamengo bateu o Vasco por 4 a 1 na quinta-feira, com dois gols de Pedro e dois de Samuel Lino e, como informa o futebolinterior, chegou a 73 pontos, contra 70 do Palmeiras. No outro extremo, o Corinthians tem 33 pontos, segundo a mesma reportagem. Está na zona de rebaixamento e não vence há dez rodadas, diz o Olhar Digital. Hoje à noite, recebe o Mirassol.
A disputa pelo título já é entre dois, e um deles leva o critério de desempate
A CNN Brasil observa que o Cruzeiro, terceiro colocado com 57 pontos, pode chegar no máximo a 72. Sobra o Palmeiras como único rival. O detalhe que consideramos decisivo é a conta do desempate: se o Palmeiras vencer o confronto direto na 36ª rodada e o Flamengo ganhar todo o resto, os dois terminam com 85 pontos, mas o Flamengo leva o título pelo número de vitórias, 26 a 25.
Ou seja, o Palmeiras não precisa apenas vencer o confronto direto. Precisa também que o Flamengo tropece em outros jogos. É muito a pedir de um líder que acabou de vencer um rival por 4 a 1 fora de casa em um clássico.
Elenco profundo é uma válvula de escape da pressão, e o Flamengo tem mais dela
A escalação divulgada antes da partida é reveladora. O provável time do Flamengo veio com alternativas entre parênteses: Royal ao lado de Varela e Paquetá ao lado de Plata. Seja rodízio planejado ou por necessidade, enxergamos aí um elenco com respostas no banco. Em uma reta final que inclui a visita do Grêmio ao Maracanã e uma ida ao Palmeiras, achamos que isso pesa mais que uma boa sequência.
Isto é opinião, não estatística: em uma arrancada em que cada jogo é uma final, o time que pode perder um jogador e manter a forma costuma sobreviver aos nervos. O Flamengo parece construído para isso. O Palmeiras, três pontos atrás, precisa ser quase perfeito, e apostar na perfeição é um mau plano.
O susto do rebaixamento no Corinthians é problema de gestão, não de azar
Dez rodadas sem vencer não são um acidente de percurso. O Corinthians saiu na frente do Vasco, sofreu dois gols no fim e perdeu por 3 a 2, como descreve a CNN Brasil. Perder a vantagem nos minutos finais é justamente a falha que elenco profundo e frieza deveriam evitar. A mesma reportagem diz que o clube precisa de 44 pontos ou mais para chegar a um total que não terminou em rebaixamento no período analisado. Um clube desse tamanho não deveria estar correndo atrás de um número assim.
Uma estimativa do valorfinal, em uma página sem data, coloca as chances de rebaixamento do Corinthians entre 41,6% com uma vitória e 77,9% com uma derrota. Encare isso como um retrato do momento, não como verdade absoluta. Mas até a ponta otimista é desconfortável para um clube dessa grandeza.
Culpar um treinador ou um resultado seria fácil demais. Um elenco que não consegue segurar uma vantagem nem encerrar um jejum de vitórias aponta, na nossa visão, para decisões tomadas bem antes desta semana: como o grupo foi montado, em quem se confiou e como o clube reagiu quando a queda começou. Isso é gestão, e achamos que a tabela está apenas apresentando a conta.
Nosso veredito
O Flamengo é o grande favorito, e o colocaríamos à frente mesmo que o Palmeiras vença o confronto direto. O Corinthians ainda pode escapar, a começar por hoje à noite, mas permanecer na Série A só adiaria a conversa mais difícil. Nas cinco últimas rodadas do Brasileirão, achamos que vence o elenco mais bem construído. O resto é nervosismo.
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