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Redação Sportsfera
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O problema da Ferrari aos sábados não é mais um mistério: é uma escolha de projeto

A Ferrari dominou os treinos livres em Austin e ainda assim largou em quarto e quinto. Duas explicações diferentes levam à mesma verdade incômoda: o SF-26 foi feito para os domingos.

Publicado
25 de outubro de 2026
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Imagem gerada por IA

Quantas vezes uma equipe pode ter o carro mais rápido na sexta e na manhã de sábado antes de "azar" deixar de ser uma explicação crível? A Ferrari dominou os três treinos livres no Circuito das Américas e depois sumiu quando importava. Em algum ponto, um padrão é só um traço de caráter.

Charles Leclerc liderou as duas sessões de sexta e Lewis Hamilton foi o primeiro no TL3, um domínio completo dos treinos livres, como relembra o formulaonehistory.com. Depois veio a classificação: Kimi Antonelli fez a pole, Max Verstappen ficou na primeira fila, e Leclerc e Hamilton terminaram em quarto e quinto, separados por 0,044s.

Segundo o The Race, foi a 18ª vez em 2026 que a Ferrari ficou aquém da pole de um Grande Prêmio. Dezoito. Isso não é uma tarde ruim no Texas. É a temporada.

Dois pilotos, dois diagnósticos, um carro

O interessante é que os pilotos discordam. Leclerc culpou os pneus: uma queda de um ou dois graus no Q3 o deixou derrapando na volta de saída e fora da janela de temperatura. Ele disse que o carro é difícil de aquecer, "o que é bom para nós no domingo, mas na classificação complica muito quando a temperatura da pista cai", segundo relata a Autosport.

Hamilton disse que sua volta de saída foi boa e apontou para a unidade de potência. Ele estimou a vantagem da Red Bull-Ford em três a cinco décimos em alguns trechos e acrescentou: "Se tivéssemos a mesma potência que eles, estaríamos na briga."

Na nossa visão, os dois podem estar certos, e esse é o problema. Um carro que poupa os pneus vence corridas e perde poles. Uma unidade de potência que perde fôlego nas retas longas castiga mais numa volta única, em que a força nas curvas não consegue compensar totalmente. A Ferrari tem duas fraquezas separadas que aparecem no sábado e quase se escondem no domingo.

A telemetria na análise do Planet F1 é impressionante. Leclerc foi quase quatro décimos mais rápido que Antonelli no setor 3 no TL3, e marginalmente mais lento na classificação. O Planet F1 também relata que sua velocidade máxima caiu 10 km/h em relação ao TL3, enquanto a de Antonelli subiu 4 km/h. Nos treinos, o problema parecia resolvido. A classificação mostrou que não era.

O detalhe mais doloroso é que a Ferrari tinha a volta

É isso que nos impede de simplesmente dizer que "o carro não é rápido o bastante". Leclerc foi o mais rápido no Q2, e o The Race observa que seu melhor tempo no Q2 o colocaria na primeira fila se o tivesse repetido no Q3. Sua volta final no Q3 foi, na verdade, mais rápida que o último esforço de qualquer outro. Mas Antonelli e as Red Bulls já tinham feito voltas melhores nas primeiras tentativas, nas quais a Ferrari foi quarta e sexta.

Ou seja, o ritmo estava lá, e a janela de execução não. A leitura do chefe da equipe, Frédéric Vasseur, segundo a Motorsport.com Italia, foi que as margens são tão apertadas que alguns centésimos podem levar você do segundo ao sexto lugar. Justo. Mas isso pede mais precisão na primeira tentativa do Q3, não menos. O mesmo relato italiano diz que a primeira fila escapou da Ferrari por apenas 53 milésimos, e achamos que essa é uma diferença que o próprio problema de preparação de pneus da Ferrari poderia ter coberto com facilidade.

O sábado importa mais que os feitos heroicos de domingo

A defesa da Ferrari é que o domingo é onde o carro vive. Há algo nisso: em Spa, Leclerc e Hamilton terminaram em segundo e quarto depois de classificar em quinto e sexto. O Planet F1 argumenta que, se algum circuito permite corrigir erros da classificação no domingo, é COTA, embora o próprio Hamilton tenha dito que ultrapassar lá é muito difícil.

Mas discordamos de tratar isso como uma alternativa confortável. Largar em quarto e quinto provavelmente significa uma briga no tráfego da primeira volta, apostas de estratégia e uma dependência das temperaturas dos pneus que, observa o Planet F1, voltará a decidir o ritmo de domingo. Corridas de recuperação rendem boas histórias. Poles rendem campeonatos. O The Race levantou a questão de se essa troca é intrínseca à filosofia do carro e não pode ser corrigida até 2027; Leclerc disse que não, mas chamou de "talvez um pouco de compromisso". Para nós, é uma maneira educada de dizer sim, pelo menos por ora.

A Ferrari deveria gastar o resto do ano consertando o sábado

A Ferrari deveria parar de comemorar as tabelas de tempos dos treinos. O Planet F1 relata que o pacote de atualizações levado ao Texas aumentou o apoio aerodinâmico, e o carro foi excepcional nas curvas. Isso não mudou o fato estrutural de que, na nossa visão, o carro precisa de condições perfeitas para render uma volta. O problema da janela dos pneus parece solucionável com processo: preparação da volta de saída, ordem das tentativas e um acerto que tolere temperaturas de pista mais baixas. O déficit da unidade de potência é mais difícil e pode não ser resolvido este ano.

Se aconselhássemos a garagem, gastaríamos as corridas restantes no sábado, mesmo com algum custo na otimização do ritmo de corrida. Achamos que o ritmo de domingo já é bom o bastante para vencer largando da primeira fila. Chegar lá é o trabalho inteiro.

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