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Redação Sportsfera
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O Flamengo tem o regulamento, mas o recurso por Rojo é um péssimo cartão de visitas

O protesto do Flamengo por Marcos Rojo pode se sustentar no papel, mas buscar uma final da Libertadores numa sala da CONMEBOL deixa o Palmeiras esperando um adversário.

Publicado
25 de outubro de 2026
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Dá para estar certo no regulamento e ainda assim parecer errado? O Flamengo está prestes a descobrir. Dois empates por 0 a 0 e uma disputa de pênaltis perdida no Maracanã deveriam ter encerrado sua campanha na Copa Libertadores. Em vez disso, o clube agora tenta vencer o confronto com um argumento de advogado.

Veja o que aconteceu. O Flamengo perdeu a semifinal por 3 a 2 nos pênaltis em 22 de outubro e, segundo o Rio Times, apresentou no dia seguinte um protesto pedindo à CONMEBOL a vitória por 3 a 0. O alvo é o zagueiro Marcos Rojo. A CONMEBOL havia rejeitado o registro dele, mas o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) o autorizou provisoriamente a jogar em 21 de outubro. Ele foi titular na partida de volta.

A final está marcada para 28 de novembro. A disputa decide se o Palmeiras enfrentará o Estudiantes ou o Flamengo.

No papel, o caso é mais forte do que a imagem admite

Sejamos justos com o Flamengo. Em nota oficial, o clube afirma que a CONMEBOL recusou o registro duas vezes depois de consultar a FIFA. Acrescenta que o CAS negou o pedido do Estudiantes para afastar as consequências esportivas e disciplinares, de modo que o risco ficou com o lado argentino. O Flamengo também diz que avisou o CAS, antes da bola rolar, que protestaria se Rojo jogasse.

É uma posição coerente e, pela versão do Flamengo, não houve emboscada: o Estudiantes entrou em campo ciente da consequência. Se a regra diz que escalação irregular significa derrota por 3 a 0, como o ge informou sobre o artigo 19 do código disciplinar, o clube tem todo o direito de pedir isso.

Há também um precedente. O Flamengo cita 2018, quando o empate por 0 a 0 do Santos com o Independiente na ida foi transformado em derrota por 3 a 0 porque um jogador não havia cumprido suspensão. Se isso vale aqui, cabe à CONMEBOL decidir, ainda mais porque em 2026 foi um tribunal esportivo, e não um erro da CONMEBOL, que liberou o jogador.

Mas "regras para todos" soa vazio depois de uma disputa de pênaltis

Na nossa visão, ser defensável não é o mesmo que ser sensato. O Flamengo é o atual campeão e foi eliminado dentro de campo. A nota diz que "não se trata de buscar um resultado fora de campo", mas o pedido é justamente um resultado decidido numa mesa. O leitor pode julgar essa distância por conta própria.

Há também pontos frágeis. O lado do Estudiantes argumenta, como relataram La Nación e Olé, que a decisão judicial protege a contratação. O Olé citou um advogado de direito esportivo que não viu base jurídica para a queixa, porque o tribunal que emitiu a ordem está acima da CONMEBOL. Não temos como resolver isso, e a assessoria de imprensa do Flamengo também não. Parece ainda que o Flamengo pode estar à espera do processo principal no CAS, que poderia lhe dar os pontos mais tarde.

Mesmo uma vitória teria um custo. Um clube que avança por W.O. precisa conviver com esse asterisco, e sua torcida também.

O Palmeiras é quem paga pela incerteza

O perdedor menos lembrado é o Palmeiras. Ele chegou à final no início da semana e agora se prepara sem saber quem vai enfrentar. Achamos isso injusto com um clube que não fez nada de errado.

O calendário piora a situação. As fontes divergem sobre se o Estudiantes tem 24 horas ou até a semana que vem para responder, e as reportagens que analisamos não mostram qual prazo vale. O próprio Flamengo pediu uma decisão antes da final. Achamos que esse é o único pedido que todos deveriam apoiar.

O que deveria acontecer agora

A CONMEBOL precisa decidir rápido, publicar seus fundamentos e explicar com clareza como uma medida provisória do CAS se relaciona com seu próprio código disciplinar. Uma decisão vaga, ou que se arraste por novembro, faria mais estrago do que qualquer um dos desfechos. Se a disputa chegar de novo ao CAS, como sugere o soyfutbol que pode acontecer, a final pode acabar sendo disputada sob uma nuvem de dúvidas.

Nosso veredito é que o Flamengo tem o direito de perguntar, e a pergunta é legítima. Mas ela deveria ter sido resolvida antes de 22 de outubro, e não depois de uma disputa de pênaltis. A partir daqui, o melhor resultado para o esporte é uma decisão rápida e transparente. E, se o confronto for mantido, o Flamengo deveria aceitá-lo com a serenidade que a própria nota promete.

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