A estreia de Seedorf não conserta um Corinthians construído no caos
O Corinthians tem menos pontos que o time rebaixado em 2007 e passou duas semanas preso na burocracia. Seedorf é sintoma da bagunça, não a cura para ela.
Imagem gerada por IA
Um clube pode contratar um técnico, não conseguir colocá-lo no banco por duas semanas e ainda chamar isso de recomeço? Essa é a pergunta que paira sobre o Corinthians, enquanto Clarence Seedorf finalmente estreia contra o Vasco, em um jogo que vários veículos tratam como uma decisão direta contra o rebaixamento.
O resumo é este. Diniz foi demitido em 7 de outubro, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional. Seedorf foi anunciado em 11 de outubro, com contrato até dezembro de 2027. Aí a burocracia assumiu: o UOL informou que o visto de trabalho dele não ficou pronto a tempo, então ele assistiu ao empate com o Vitória das arquibancadas, enquanto o auxiliar Léo Porto comandava o time. A saída de Diniz, com multa rescisória de quase R$ 5 milhões segundo o A Crítica, também precisou ser resolvida antes de Seedorf ser registrado. Os dois problemas foram resolvidos na sexta-feira, 23 de outubro.
A tabela diz que a situação é pior que a de 2007
A comparação do Estadão é brutal. Depois de 30 rodadas em 2007, o time que caiu tinha 37 pontos. O desta temporada tinha 32. Hoje tem 33, um ponto acima da zona de rebaixamento, com nove jogos de campeonato sem vencer.
A resposta de sempre é que 2007 terminou em rebaixamento de qualquer forma, então a comparação não prova nada. Achamos que isso foge do ponto. O time de 2007 já estava no Z-4 e ainda assim tinha mais pontos. Este está fora dele por apenas um ponto. A diferença mostra um clube que vem piorando, não um que tem azar.
Diniz foi o pavio, não a bomba
Demitir Diniz depois de sete derrotas seguidas no campeonato é compreensível. Tratar isso como solução, não. Um técnico não perde sete seguidas sozinho, e a sequência chegou a oito com a derrota por 4 a 1 no clássico contra o Palmeiras, já sem ele. Na nossa leitura, o clube apostou na troca de rosto porque é o gesto mais barato à disposição de uma diretoria pressionada.
O jeito como a troca foi conduzida já é uma evidência. Segundo relatos, o clube chegou a Seedorf depois que as negociações com outros candidatos, entre eles Ramón Díaz, empacaram. Isso não é um projeto. É plano B. Some a isso um processo de visto que deixou o novo técnico nas arquibancadas em um jogo em casa no meio da luta contra o rebaixamento, e o resultado é uma instituição que reage em vez de planejar. Seedorf não treina desde 2019, o que faz da escolha uma aposta, feita às pressas.
O que Seedorf pode fazer, de forma realista
Para ser justo, os sinais sobre a escalação são interessantes. Segundo o iG, a expectativa é que ele junte Gui Negão e Yuri Alberto e leve o lateral-esquerdo Matheus Bidu para o meio-campo. Se vai funcionar, é especulação até a bola rolar. Mas ele faz isso sem Memphis Depay, Gabriel Paulista, Raniele, Zakaria Labyad e Kayke Ferrari, todos lesionados, e sem Vitinho e André Carrillo, poupados para controle de carga. Um elenco tão curto não reage apenas a novidades táticas.
A tabela também não perdoa. Internacional e Grêmio, com 32 e 31 pontos, respectivamente, podem empurrar o Corinthians de volta ao Z-4 neste fim de semana se vencerem e o time tropeçar. Estimativas baseadas em dados da Opta apontam um risco de rebaixamento de 31,79% para o clube após a 29ª rodada, e um relatório citou 41% depois da derrota para o Palmeiras. São projeções, não destino, mas ninguém deve achar esses números confortáveis.
Nosso veredito: se vencer ou empatar no Rio, Seedorf receberá crédito demais. Se perder, receberá culpa demais. Nos dois casos, a explicação está acima do banco de reservas. O verdadeiro problema do Corinthians é uma instituição que demite, procura, empaca e improvisa. Seedorf pode arrancar os poucos pontos necessários para se manter na Série A, e chamaremos isso de sobrevivência, não de recuperação. Quem no clube confundir as duas coisas estará no mesmo lugar em outubro do ano que vem.
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