Início de 0-2 dos Knicks não é crise, mas o circo dos anéis é um alerta
Primeiros campeões em título a começar 0-2 em 15 anos não precisam entrar em pânico, mas uma cerimônia de anéis confusa e uma derrota apertada mostram que a ressaca é real.
Foto: Daniel Torres Bonatto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
Uma noite de bandeira de campeão deveria ser tão ruim assim? Dias depois de erguer a bandeira do título, o New York Knicks perdeu duas vezes, e o assunto mais comentado nem é basquete. São joias.
Veja o que aconteceu. Os Knicks perderam por 107-103 em Boston na sexta-feira e, como destaca o Yahoo Sports, são os primeiros campeões em título a abrir 0-2 em 15 anos. Segundo as crônicas dos jogos, Jayson Tatum marcou 36 pontos por Boston, enquanto Deuce McBride fez 20 e Jalen Brunson 19 por Nova York. A primeira derrota veio na estreia contra o Philadelphia, logo depois da cerimônia dos anéis.
Fora da quadra, o The Athletic informou que assistentes técnicos receberam caixas vazias na cerimônia e que funcionários do MSG receberam em setembro um e-mail oferecendo um anel de campeão grátis, que acabou sendo um teste de phishing. O MSG chamou de "erro infeliz" e disse que vai presentear mais de 275 anéis e peças de joalheria no valor de mais de US$ 3,7 milhões.
Duas derrotas são ruído, e o calendário confirma
Primeiro, vamos com calma. Dois jogos são dois jogos. Um foi a estreia carregada de emoção, o outro uma derrota fora de casa por quatro pontos para um Celtics com Tatum embalado no fim. Um jornalista do Barstool Sports resumiu bem, em nossa paráfrase: é uma temporada de 82 jogos que na verdade só começa em março. Concordamos.
A curiosidade do 0-2 também é menos agourenta do que parece. É uma estatística divertida porque é rara, não porque preveja alguma coisa. Não vemos indícios de que o núcleo dos Knicks esteja quebrado, e os 19 pontos de Brunson vieram com uma arrancada no fim em Boston. Apostaríamos que o retrospecto vai se normalizar.
O fiasco dos anéis é um sintoma, não uma causa
Não, um e-mail de phishing não custou um jogo a Nova York. Mas ele se encaixa num padrão que consideramos importante: temporadas de título distraem. Todo campeonato traz banquetes, cerimônias, logística e vaidades sobre quem recebe o quê, e a organização parece ter tropeçado na logística. O técnico Mike Brown, questionado antes do jogo em Boston, disse: "Não vou falar nada sobre anel." É a resposta certa e, na nossa visão, também mostra que o assunto estava no ginásio.
Para ser justo, o problema das caixas vazias não é exclusivo. O The Athletic lembrou que o Oklahoma City teve atrasos parecidos após o título de 2025, e o Thunder seguiu em frente. Então não leríamos a cerimônia como maldição. Leríamos como um lembrete de que uma franquia que encerra um jejum de 53 anos funciona na base da adrenalina, e adrenalina é um péssimo substituto para descanso e preparação.
Há também uma lição de relações públicas. O MSG diz que o e-mail era uma simulação de phishing depois de ter sido hackeado e extorquido por meio do login de um funcionário, mas usar o anel como isca foi, a nosso ver, uma gafe, e o valor de US$ 3,7 milhões só apareceu depois da reação negativa. Se presentear anéis amplamente sempre foi o plano, como disse uma fonte da liga ao Post, não temos como verificar. A imagem foi ruim de qualquer jeito.
A questão real é profundidade de elenco, não distração
É aqui que nos preocuparíamos de verdade. Perder por quatro pontos para um adversário cuja estrela fez 36 levanta a pergunta de quem mais pode criar ataque quando Brunson é marcado. As crônicas destacam os 20 pontos de McBride. É ótimo, mas também pode ser sinal de que os Knicks se apoiaram demais nele. É uma opinião a partir de duas linhas de súmula, não um diagnóstico, mas é o ponto a observar.
Times campeões raramente conseguem repetir tudo intacto. Os adversários chegam com um plano mais afiado, e os minutos se acumulam após uma longa campanha de playoffs. Se a rotação atrás das estrelas for curta, outubro e novembro provavelmente vão mostrar isso antes da primavera.
Nosso veredito
Sem pânico, mas sem ignorar também. O 0-2 é, em grande parte, uma história de calendário e emoção. A saga dos anéis é um erro organizacional constrangedor, mas corrigível. A dúvida duradoura é se o elenco de apoio consegue segurar a carga numa temporada longa.
Se fôssemos os Knicks, entregaríamos logo os anéis de verdade aos assistentes, pararíamos de falar de joias e trataríamos as próximas duas semanas como um teste de profundidade. Se estiverem em 2-5 em meados de novembro, aí é tendência. Até lá, é ressaca, e ressaca passa.
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