O fim da sequência de SGA é a melhor coisa que podia acontecer à sua candidatura a MVP
Ao sair de uma goleada com 17 pontos, Shai Gilgeous-Alexander mostrou que seu valor está em vencer e ter classe, não em uma estatística que premia o volume sem alarde.
Foto: Young Ru Finch / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
Você prefere o recorde ou o respeito? Shai Gilgeous-Alexander teve de escolher na noite de quinta-feira e ficou com a segunda opção. Achamos que é a atitude mais digna de MVP que ele teve em muito tempo.
O que aconteceu: uma sequência acaba, o time nem pisca
Gilgeous-Alexander terminou com 17 pontos na vitória por 96 a 84 na estreia em casa contra os Nuggets, encerrando uma sequência recorde de 141 jogos seguidos com 20 pontos. A sequência começou em 1º de novembro de 2024 e já tinha superado o recorde de Wilt Chamberlain dos anos 1960. O Thunder vencia por 17 quando Denver esvaziou o banco após um pedido de tempo. Shai foi para o banco por conta própria.
A noite dele foi feia para os seus padrões: 6 de 19 nos arremessos, 3 de 11 de três pontos e nenhuma cesta no primeiro tempo. O Thunder venceu mesmo assim, com 13 desperdícios de bola forçados no segundo tempo que viraram 19 pontos. A equipe está com 2 vitórias em 2 jogos.
A sequência media volume, e Shai acabou de mostrar o que valoriza
Um piso de 20 pontos impressiona. Mas também é um limite, e limites estimulam manipulação. Muitos jogadores teriam ficado em quadra, procurado alguns arremessos contra uma formação reserva e inflado o número. Shai contou que viu Denver fazer substituições e pensou: "A gente também deveria substituir." Como relata a Bleacher Report, ele acrescentou: "Acho que você sempre deve tratar o jogo com respeito."
O técnico Mark Daigneault disse que, de tudo o que admira em Shai, isso está no topo da lista. Nós iríamos além. Os votantes falam de "vencer" nas disputas de MVP o tempo todo, e poucos momentos mostram isso de forma tão limpa. Um jogador que se importa mais com a sequência do que com o placar não sai com 17. Ele saiu.
Repare também que ele queria a sequência. Segundo os destaques do NBA.com, ele voltou à quadra com pouco menos de sete minutos restantes, parado em sete pontos, e os companheiros tentaram achá-lo. Ele acertou um arremesso de 7,6 metros (25 pés) para o 17º ponto e depois saiu. Isso não é indiferença ao recorde. É uma ordem de prioridades, e achamos que essa ordem é a notícia.
A noite de baixa eficiência é o argumento
Sim, 6 de 19 é uma noite ruim de arremessos, e ninguém deveria fingir o contrário. Mas veja o que o Thunder fez sem uma boa noite do seu melhor jogador. O The Oklahoman informa que a equipe limitou os adversários a uma média de 94 pontos, com 38,3% de aproveitamento, em dois jogos. Jalen Williams marcou 21, Chet Holmgren teve 12 pontos e 17 rebotes, e Ajay Mitchell somou cinco roubos de bola saindo do banco.
Shai deu dois tocos e agora é o segundo armador da história com mais tocos na carreira, com 427, atrás apenas de John Wall, com 439, segundo a mesma reportagem. Não é uma estatística de pontuação, e é exatamente esse o ponto. Quando um jogador pode ficar discreto no ataque e o time ainda vence com folga, seu valor não está preso a um total de pontos.
O contra-argumento é justo: bicampeões em exercício do MVP não ganham crédito por uma noite de folga, e a sequência foi uma conquista real que exigiu regularidade ao longo de duas temporadas. Concordamos que foi notável. O próprio NBA.com chamou a sequência de pontuação de a mais impressionante da noite, observando que a defesa do Thunder e os companheiros cobriram a noite discreta dele. Para nós, é essa cobertura que os votantes deveriam valorizar.
Veredito: deixe o recorde para lá e olhe o próximo jogo
A leitura razoável é que isso não prejudica a candidatura de Shai. Fortalece, porque o separa da versão do estrelato que persegue estatísticas. Ele pode começar outra sequência, e disse isso: "Se Deus quiser, tenho muitos jogos pela frente para começar outra sequência." O próximo compromisso é contra os Clippers, no domingo.
Nossa recomendação a quem monta o ranking do MVP: pare de contar limites e comece a contar o que acontece com o time quando as bolas não entram. Na quinta-feira, a resposta foi uma vitória, e essa é a linha que deveria ficar no currículo dele.
Ainda não há temas: abra o primeiro.
Mais matérias
A virada de 29 pontos dos Sixers empolga, mas o buraco de 29 pontos é a história
O talento da Filadélfia a salvou contra Cleveland, mas um primeiro tempo de desperdícios de bola e pontos fáceis no contra-ataque diz mais sobre o time do que a reação.
A prisão de Liolios mostra que a EuroLeague não pode funcionar só na base da confiança
Um presidente de federação grega e árbitros de nível EuroLeague estão no centro de uma investigação por suborno. A liga não pode tratar isso como problema alheio, e o "confiem em nós" não basta mais.
Clubes da Euroliga não devem entregar as chaves à NBA, seja qual for o valor do cheque
Bertomeu tem razão: uma parceria sem a propriedade do produto transformaria a melhor liga da Europa numa marca de base, e os próprios números da NBA mostram por quê.
A NBA não criou uma rivalidade — criou um ciclo de conteúdo
As declarações de Yaxel Lendeborg sobre Luka Dončić viraram drama instantâneo e revelaram como a NBA transforma rapidamente a identidade competitiva de um novato em combustível promocional.



