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Redação Sportsfera
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Verstappen tem razão sobre as ondulações de COTA, e a F1 não pode seguir dando de ombros

O asfalto de Austin gera reclamações dos pilotos há anos, apesar de várias recapagens. Com um título possivelmente em jogo neste fim de semana, F1 e promotor devem ao grid uma pista que não seja a notícia.

Publicado
23 de outubro de 2026
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Imagem gerada por IA

Quantas vezes dá para "consertar" um circuito antes de admitir que o conserto não funciona? Austin não para de testar essa pergunta. Vez após vez, o paddock da Fórmula 1 chega ao Circuit of the Americas, os pilotos fazem careta, as declarações voam e o esporte segue para a corrida seguinte.

Neste ano, Max Verstappen deu o tom cedo. Depois de Singapura, disse que, pelo que tinha visto da pista no WEC, ela é "incrivelmente esburacada" e que "provavelmente vou precisar encomendar uma coluna nova depois do fim de semana ou virar o Robocop", segundo o GPFans. A piada tem graça. O padrão por trás dela, não.

É um problema crônico, não um ano ruim

O histórico é longo. Em 2019, o RaceFans informou que Lewis Hamilton teve dor de cabeça após o primeiro treino livre e precisou se deitar. Pierre Gasly disse que sentiu as costas muito mais do que o normal. Depois veio a recapagem antes de 2020, mais obras no início de 2022 e outra rodada em 2023. Naquele ano, Verstappen disse que a pista precisava ser refeita porque parecia "mais adequada a um carro de rali", como noticiou o Motorsport.com. Em 2024, a Motorsport Magazine informou que uma obra de recapeamento havia pulado uma curva crucial. E agora, para 2026, o trecho da entrada da Curva 9 até a entrada da Curva 11 foi recapeado, segundo o Yahoo Sports.

Leia essa lista de novo. Não é descaso. Dinheiro e asfalto foram investidos nesta pista repetidamente. Mas remendos repetidos são exatamente a cara de um problema mais profundo. O chefe do circuito, Bobby Epstein, apontou a inundação de 2015, dizendo que ela causou erosão ao redor das tubulações sob a pista e, depois, elevações e afundamentos. Se o subsolo continua se movendo, asfalto novo por cima é uma resposta cosmética. Achamos que a pergunta honesta é se Austin precisa de uma solução estrutural em vez de mais uma rodada de reparos pontuais.

Com carros rente ao chão, "personalidade" vira desculpa

Há um contra-argumento respeitável, e ele merece crédito. Os pilotos se dividem nisso há tempos. Romain Grosjean chamou as ondulações de "bem legais" em 2019, e Daniel Ricciardo as preferia a algo tão perfeito que parece videogame. Até Hamilton disse que algumas ondulações dão personalidade. Concordamos com o princípio: um circuito não deve ser uma mesa de sinuca.

Mas "personalidade" deixa de ser a palavra certa quando as consequências são mecânicas e físicas. Em 2023, Fernando Alonso abandonou depois de destruir o assoalho da sua Aston Martin, e Hamilton e Charles Leclerc foram desclassificados por desgaste excessivo da prancha do assoalho, o que, segundo o Motorsport.com, também foi atribuído à superfície irregular. Isso não é textura, é a pista decidindo resultados.

O Motorsport.com também observou que as ondulações de Austin se tornaram uma preocupação maior para a F1 após a mudança, em 2022, para carros de efeito solo com baixa altura do chão. Suspeitamos que os carros de hoje não sejam mais tolerantes, mas essa é nossa leitura da tendência, não um fato medido. A lógica é difícil de evitar: quanto menos suspensão o carro tem, mais a coluna do piloto e o assoalho do carro absorvem. Hamilton fez a mesma observação sobre os pilotos em 2019.

Um campeonato não deveria depender do asfalto

É por isso que o assunto importa agora. Segundo o GPFans, a liderança de Kimi Antonelli no campeonato é tão grande que ele pode se tornar o campeão mais jovem do esporte já no domingo. Qualquer que seja sua opinião sobre a briga pelo título, imagine-a sendo moldada por um assoalho quebrado, um rodopio numa ondulação ou uma desclassificação por desgaste da prancha. Ninguém lembraria da corrida. Discutiriam a superfície de Austin.

Esse é o risco que a F1 insiste em correr. Um campeonato deve ser conquistado por mérito, e os organizadores devem ao grid uma superfície em que o mérito seja o que separa os carros. A FIA e o promotor não deveriam tratar as reclamações dos pilotos como um ritual anual a ser esperado passar.

O lugar de Austin no calendário deveria depender de uma solução de verdade

Nosso veredito é simples. Verstappen tem razão, e não só porque fala alto sobre isso. Pilotos de gostos muito diferentes, de Hamilton a Gasly e Verstappen, chegaram à mesma conclusão ao longo dos anos. Segundo relatos, COTA voltou a tratar das ondulações para esta corrida, o que é bem-vindo, mas um padrão de remendos repetidos confirma o argumento em vez de refutá-lo.

A F1 deveria pedir uma avaliação independente de toda a estrutura da pista, divulgar o que encontrar e vincular o futuro de Austin no calendário a uma solução real. Em 2023, Hamilton disse que os pilotos, por meio da GPDA, estavam abertos a discutir e ajudar, "como talvez não fazer tudo, para não custar uma fortuna". Esperamos que essa oferta continue de pé. Aceitem. Um grande traçado, que Verstappen disse em 2023 que adora, merece uma superfície à altura.

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