O título de Antonelli em Austin é um veredito sobre Russell e a Mercedes
Um companheiro de equipe pode garantir um título recorde no Texas, e a questão de fundo é o que isso diz sobre a temporada de Russell e como a Mercedes vai contá-la.
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E se o mais interessante da primeira chance de título de Kimi Antonelli não for o recorde, mas quem está ao lado dele quando ele a aproveitar? O homem do outro Mercedes é seu rival mais próximo e talvez logo tenha de ver o companheiro de equipe ganhar o campeonato.
Os fatos são bem simples. Segundo o grandprix.com, Antonelli chega ao Grande Prêmio dos Estados Unidos com 340 pontos, 102 à frente de Russell. Para ser campeão no domingo, 25 de outubro, ele precisa de três coisas ao mesmo tempo: vencer, Russell em nono ou pior e Hamilton em quinto ou pior. Uma vitória com Russell em oitavo, ou com Hamilton em quarto, mantém a briga viva. Se acontecer, aos 20 anos ele será o campeão mais jovem da história e tirará o recorde do título de Sebastian Vettel em 2010.
A calculadora é distração; a temporada já respondeu
Austin é um cenário difícil, e não apostaríamos que as três condições se cumpram numa só tarde. Mas isso é quase o de menos. Como diz o Ouest-France, a pergunta não é mais se ele será campeão, mas quando.
Olhe como a diferença foi construída. Desde a pausa de verão, segundo a mesma reportagem, Russell marcou 70 pontos em seis corridas, enquanto Antonelli fez 126, com duas vitórias. Antonelli também tem oito vitórias contra três de Russell, e o critério de desempate conta primeiro as vitórias. Isso não é fase boa; é uma temporada de presença constante. Em nossa opinião, esse título está sendo ganho com regularidade, não com badalação, e o recorde só é manchete porque o trabalho de base foi muito pouco glamouroso.
O azar de Russell é real, mas não explica 102 pontos
É preciso ser justo com Russell. Sua segunda metade de ano foi prejudicada por punições na unidade de potência e problemas técnicos, e em Singapura ele se recuperou até o nono lugar depois de largar perto do fundo por causa das trocas de unidade de potência da Mercedes. Mais cedo no ano, depois de abandonar no Canadá, ele disse: "parece que alguém não quer que eu lute ou dispute esse campeonato", como registrou o Formula1.com.
As duas coisas podem ser verdade. O azar explica parte da diferença, mas não os 102 pontos. Achamos que a leitura honesta é que Russell perdeu esse título nas pequenas margens, nos fins de semana em que um bom carro virou apenas um resultado razoável, enquanto o companheiro seguia somando pódios. Antonelli tem 14 neste ano. O equipamento custou pontos a Russell, mas uma diferença desse tamanho nunca é só questão de equipamento.
A Mercedes precisa assumir a história interna da equipe, não administrá-la
É aqui que cobraríamos a equipe. Um piloto de 20 anos, líder por 102 pontos e prestes a quebrar um recorde que existe desde 2010 é um presente. Um companheiro que viu o título escapar entre punições e falhas é a outra metade do pacote. A Mercedes não pode tratar isso como histórias separadas.
Nosso conselho: celebrar Antonelli sem reescrever o ano de Russell. Deixar claro o que as punições e falhas custaram, sem fingir que foram irrelevantes. A credibilidade da equipe com o próximo piloto, e com o que já tem, depende disso. Há relatos também de que Russell poderia adiar outra punição de unidade de potência até Las Vegas para não pesar em seu fim de semana em Austin. É exatamente o tipo de decisão que uma equipe deveria explicar abertamente, porque ela molda como as rodadas finais vão se desenrolar.
O coringa, como sempre, está fora do paddock. Hamilton, com 229 pontos, e uma evolução tardia da Ferrari podem complicar as contas. E o SB Nation observa que o conflito no Oriente Médio já custou uma corrida ao calendário, com as etapas finais ainda aguardando decisão; até o número de pontos em disputa pode mudar.
Veredito
Espere Antonelli campeão em breve, seja em Austin ou em uma das próximas etapas. Nossa leitura é que o Texas importa menos pelo troféu do que pela narrativa: se ele vencer e Russell terminar em oitavo ou melhor, a festa só será adiada. De qualquer modo, a lição é a mesma. A badalação fez todos que perseguiam o título perdê-lo, e a regularidade o deu ao garoto de Bolonha. A Mercedes deveria dizer isso, e dizer com justiça.
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