Futebol americano
Redação Sportsfera
Futebol americano

Os Colts só devem vender Jonathan Taylor se alguém pagar uma escolha de primeira rodada

Indianapolis já negociou Buckner e Nelson, mas trocar também Jonathan Taylor só faz sentido se algum time pagar um prêmio por uma posição que o mercado desvaloriza.

Publicado
29 de outubro de 2026
Leitura
4 min
Categorias
Futebol americano

Foto: Tennessee Titans / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Um time que acabou de se desfazer de Quenton Nelson e DeForest Buckner ainda está mesmo decidindo se vai reconstruir? Essa é a pergunta incômoda que paira sobre Indianapolis, e Jonathan Taylor é a resposta que todo mundo espera. Nossa opinião: os Colts não deveriam vendê-lo, a menos que alguém aceite pagar o preço de uma primeira rodada.

Os Colts já venderam duas vezes, e Taylor é o terceiro nome óbvio

Os fatos são simples. Segundo o VAVEL, Indianapolis mandou Buckner para San Francisco e Nelson para Seattle na mesma semana, deixando Taylor como o próximo nome óbvio. Ele assinou em agosto uma extensão de dois anos e 44 milhões de dólares. O preço pedido, segundo relatos, é de pelo menos uma escolha de segunda rodada, e Ian Rapoport citou Green Bay, Minnesota, Seattle e Denver entre os interessados. O prazo termina na terça-feira, 10 de novembro, às 16h no horário da Costa Leste dos EUA.

O clima é misto. Adam Schefter disse no The Pat McAfee Show que sua aposta é que os Colts fiquem com Taylor, porque a direção o vê como um jogador que faz diferença, e Shane Steichen afirmou que Taylor não pediu para ser trocado. Os relatos sobre o preço também não coincidem: o site da Sports Illustrated dedicado aos Vikings diz que ele deve render uma escolha de primeira rodada, e que isso pode ser caro demais para Minnesota.

O mercado mostra quanto valem os running backs

Esta é a parte desconfortável para quem quer faturar. A melhor evidência de como a liga valoriza a posição não é o preço de Taylor, e sim o de Tony Pollard. Ele tem 29 anos, contrato perto do fim e é o 10º da liga em jardas corridas, com 478. Mesmo assim, Easton Freeze, do A to Z Sports, escreveu que "uma escolha de quinta ou sexta rodada parece o máximo que um time ofereceria".

Taylor é um jogador de outra classe, e tem 27 anos. Mas a mesma lógica está por baixo dos dois nomes. Os times falam dos running backs como peças úteis e substituíveis, e pagam de acordo. Na nossa opinião, esse é o verdadeiro argumento para vender: se a posição continuar se desvalorizando, o valor que você obtém hoje só tende a diminuir.

É também o argumento contrário. Quando o mercado desvaloriza a posição inteira, uma escolha de segunda rodada pelo melhor jogador do ataque não é nenhuma bolada. É um retorno modesto por algo que não se substitui com facilidade.

O contrato de Taylor é o verdadeiro relógio, e ele ainda não está correndo

O número mais interessante não é uma estatística. O VAVEL informa que o salário de 16 milhões de dólares dele para 2027 só se torna totalmente garantido em 19 de fevereiro, e que trocá-lo deixaria apenas 10 milhões de dólares de dead money no ano que vem. Isso vale para os dois lados. Os Colts não estão encurralados, então não precisam vender. E também têm tempo. Nada obriga a decidir em 10 de novembro algo que poderia ser decidido na offseason, quando os Colts saberiam muito mais sobre o que é este elenco.

Em campo, os números são os de um jogador fazendo seu trabalho num ataque ruim. O VAVEL cita o Pro-Football-Reference para apontar modestas 4,2 jardas por corrida, mas uma taxa de sucesso de 55% nas corridas, com 587 jardas e 8 touchdowns, dentro de um ataque que, segundo a descrição, desabou ao redor dele. Não são números de um running back em declínio. São os de um bom running back com pouca ajuda.

Isso importa para a venda. O comprador leva um produtor comprovado. O vendedor recebe uma escolha que pode virar um jogador de rodízio. Se os Colts de fato estão desmontando tudo, defendemos que Taylor é exatamente o tipo de veterano que impede este ataque de ruir. O TSN também informa que o recebedor Josh Downs pediu para ser trocado, e um vestiário que perde mais uma peça conhecida em troca de escolhas começa a parecer, para nós, um elenco sem plano.

Ouvir ofertas, sim, mas só uma proposta de primeira rodada deveria mexer com os Colts

Trocar Buckner e Nelson foi, a nosso ver, uma forma defensável de começar a transformar o valor dos veteranos em capital de draft. Trocar Taylor é uma declaração diferente, porque ele é a única razão que resta para assistir a este ataque, e a leitura de Schefter é que a direção o valoriza.

Se um time como Minnesota, Seattle ou Green Bay realmente oferecer uma escolha de primeira rodada, achamos que os Colts deveriam aceitar. Num mercado que trata running backs de forma tão barata, uma primeira rodada seria um retorno forte, e a flexibilidade do contrato faz com que esperar custe pouco. Se a melhor proposta for uma escolha de segunda rodada com uma condição, fiquem com ele, revejam a questão em fevereiro e deixem o mercado vir até vocês.

O risco de esperar é pequeno. O risco de vender barato é gastar um ativo premium para confirmar, perante toda a liga, que seu melhor jogador valia uma escolha do segundo dia do draft.

Temas de debate

Ainda não há temas: abra o primeiro.

Mais matérias