Rodízio de Jardim contra o Atlético-MG: elenco fundo é trunfo do Flamengo, não brinquedo
O Flamengo recebe o Atlético-MG com Jardim avaliando mudanças nas laterais e no ataque. Rodízio ganha título quando é planejado, não quando é improvisado.
Foto: The Gentle / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
A melhor coisa de um elenco fundo também é a forma mais fácil de desperdiçá-lo? O Flamengo vai descobrir isso na segunda à noite, e a resposta dirá mais sobre esta corrida pelo título do que qualquer tabela.
Os fatos são simples. O Flamengo recebe o Atlético-MG pelo Brasileirão (32ª rodada), e o ge informa que Jardim pode escalar Varela, Ayrton Lucas, Plata e Bruno Henrique.
Os retratos da classificação que encontramos não têm data e divergem sobre quem lidera, então não vamos fingir que sabemos a diferença exata. O Fox Sports lista o Flamengo com campanha de 20 vitórias, 7 empates e 4 derrotas, em segundo, enquanto outras páginas o colocam em primeiro. O cenário é de disputa apertada no topo, e é justamente esse o ponto: numa corrida tão acirrada, cada decisão de escalação pesa.
Rodízio só é arma quando o banco é uma opção de verdade
O argumento para mexer é forte. O Flamengo é o atual campeão, e o próprio site do clube lembrou que faltavam dez rodadas depois da pausa de setembro. É uma sequência longa de jogos, e o Maracanã não vai ficar mais silencioso: a mesma página do clube diz que o Flamengo tem média de 62.467 torcedores por jogo em casa. Uma pressão dessas não é motivo para congelar a escalação. Na nossa visão, é motivo para preservar as pernas para as semanas em que o título realmente será decidido.
Varela e Ayrton Lucas não são opções de emergência. São o tipo de jogador que faz um elenco ser fundo. As prováveis escalações da ESPN Brasil já os colocam entre parênteses ao lado de Royal e Alex Sandro, então as trocas nas laterais parecem uma permuta planejada, não um movimento de pânico. Esse é o rodízio saudável: um por um, numa posição em que a função muda pouco.
No ataque, mexer sai caro
O ataque é outra história. O provável time da Band tem Carrascal, Pedro e Samuel Lino na frente. Colocar Plata e Bruno Henrique mudaria o ritmo da linha de frente, não apenas um par de chuteiras. Pode funcionar, e Plata marcou na vitória por 4 a 0 na Arena MRV no início da temporada, segundo o Lance. Mas achamos que essa é a metade mais arriscada da escolha de Jardim.
Por quê? Porque um ataque reformulado precisa de tempo para encontrar suas ligações, e um visitante que levou 4 a 0 vai procurar qualquer sinal de dúvida. Os primeiros 20 minutos apagados, um passe errado na defesa, uma torcida quieta: é assim que um adversário ferido começa a parecer perigoso. Um time que já venceu por 4 a 0 fora de casa não deveria dar essa brecha. Manteríamos a espinha dorsal do ataque e rodaríamos as pontas.
Veredito: mude as pernas, não a identidade
Nossa recomendação é clara. Gire os laterais à vontade, porque a queda de rendimento provavelmente é pequena e os minutos poupados importam. No ataque, faça no máximo uma mudança, e que seja a de um jogador que se encaixe no plano, não uma substituição por cansaço. Um título raramente se perde num jogo como este, contra um adversário que as casas de apostas veem como nítido azarão. Ele se perde quando o técnico se convence de que elenco fundo significa que todo titular é intercambiável.
A verdadeira vantagem do Flamengo é que Jardim pode escolher. A segunda-feira é o teste para saber se ele escolhe bem. Se o resultado for uma vitória tranquila em casa, ninguém vai lembrar da escalação. Se não for, o rodízio levará a culpa, com razão ou não. Achamos que a aposta inteligente, mesmo com as odds favorecendo fortemente o time da casa no Fox Sports (Flamengo a -326), está num Jardim comedido: laterais descansados, uma linha de frente estável e um Maracanã que faz o resto.
Ainda não há temas: abra o primeiro.
Mais matérias
A defesa da Atalanta não é azarada: o equilíbrio de Sarri quebrou
Um 4 a 4 em casa contra um recém-promovido e 15 gols sofridos em oito rodadas indicam problema estrutural, não azar nem uma grande noite do Frosinone.
Carrick deveria tirar Bruno Fernandes do time, mas isso não resolve o United
Barrar o capitão após o desabafo em Como devolveria autoridade, mas os problemas do United são os gols sofridos cedo, uma marcação confusa e sete jogos sem vitória.
A gripe de Courtois não criou o problema do Real Madrid no Clássico: ela o expôs
Perder Courtois horas antes do Camp Nou dói, mas o verdadeiro problema do Real de Mourinho é a pouca margem diante de um Barcelona que ainda não perdeu pontos.
O Flamengo tem o regulamento, mas o recurso por Rojo é um péssimo cartão de visitas
O protesto do Flamengo por Marcos Rojo pode se sustentar no papel, mas buscar uma final da Libertadores numa sala da CONMEBOL deixa o Palmeiras esperando um adversário.



