O plano de Mourinho no Clássico transformou LaLiga em disputa a três
A vitória por 2 a 1 do Real no Camp Nou foi mais do que os dois gols de Mbappé: é o manual para vencer a linha alta de Flick e reabre uma briga pelo título que parecia decidida.
Foto: Jackpollock / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
É possível perder a disputa pela posse de bola por 62% a 38%, levar 17 finalizações contra nove e ainda assim merecer a vitória? No domingo à noite, no Camp Nou, o Real Madrid respondeu que sim, e, na nossa visão, o time de José Mourinho não apenas roubou um resultado. Entregou ao resto de LaLiga um manual.
O Madrid venceu por 2 a 1, com Kylian Mbappé marcando em cada tempo. Como informa o Goal, foi a primeira derrota do Barcelona no campeonato nesta temporada. Foi a quinta vitória seguida do Madrid, que subiu para o terceiro lugar, três pontos atrás do time de Hansi Flick e um atrás do Atlético de Madrid. Raphinha empatou aos 61 minutos, e Mbappé decidiu aos 87, depois de um passe de trás de Camavinga.
O plano era paciência, não estacionar o ônibus
A leitura fácil é que Mourinho recuou e torceu para dar certo. As evidências sugerem algo mais inteligente. O Madrid espelhou no papel o 4-2-3-1 do Barcelona, mas defendeu num bloco médio-baixo. Marc Cucurella marcou Lamine Yamal de perto, e Federico Valverde jogou como lateral direito para conter Anthony Gordon. A análise em espanhol do Goal descreve um time que alternava blocos e pressionava em momentos escolhidos, não um que simplesmente recuava.
Os números reforçam a ideia de que o Madrid escolheu seus momentos. Teve 1,98 de gols esperados contra 1,26 do Barcelona e lançou cinco contra-ataques contra dois. É o oposto da história do "ladrão sortudo". O primeiro gol foi um desvio no corte de Gerard Martin, é verdade, mas nasceu de uma transição que o Madrid procurou a noite inteira. Bernardo Silva teve tempo para lançar Yan Diomande, e ninguém foi dobrar a marcação.
Para nós, essa é a parte mais interessante da noite. Mourinho não tinha Vinícius Júnior, suspenso, nem Thibaut Courtois, que ficou de fora com gripe. Mesmo assim, montou um plano de jogo que absorveu as duas ausências. Andriy Lunin fez cinco defesas. Pense o que quiser da reputação de Mourinho: isso é trabalho de treinador, não sorte.
A linha alta de Flick tem uma fraqueza conhecida, e o Madrid a encontrou
A proposta do Barcelona foi a de sempre: longos períodos de posse e linha defensiva adiantada. O custo também foi o de sempre. Passes errados de Pedri deram chances cedo a Arda Güler e deixaram Diomande livre antes do intervalo. A análise do Goal argumenta que o Madrid passou pela primeira onda de pressão e achou espaço nas costas da defesa.
O próprio Flick apontou erros repetidos. A Eurosport informa que ele culpou a falta de frescor físico e disse: "Volvimos a cometer el mismo error", ou seja, "cometemos o mesmo erro de novo". O Sporting News observou que o Barcelona parecia hesitante após a derrota por 4 a 2 no meio da semana, na Champions League, para o Paris Saint-Germain.
Nossa leitura é que duas derrotas numa semana não são coincidência. O sistema de Flick é espetacular quando domina e fica exposto quando o adversário sobrevive à pressão. O Barcelona deu 17 finalizações e trocou 644 passes, e mesmo assim perdeu. O risco faz parte do modelo. Isso não faz de Flick um fracasso. Seu retrospecto em Clássicos tem sido excelente, e a ESPN lembra que ele havia vencido seis dos sete contra o Madrid antes deste. Mas os rivais agora têm um modelo, e o Madrid acabou de fazer parecer fácil.
Três times, uma tabela e um longo caminho pela frente
O Barcelona continua na liderança, e por isso resistimos a chamar isso de revolução. Três pontos equivalem a uma tarde ruim, e estamos apenas na 10ª rodada. Com o Atlético entre os dois gigantes, chamaríamos o topo da tabela de um aperto a três.
Ainda assim, a mudança psicológica importa. O Sporting News disse que a briga pelo título poderia ter parecido encerrada antes de começar se o Barcelona tivesse vencido. Agora o Madrid vive uma sequência de cinco vitórias, e Mbappé tem 10 gols no campeonato. Raphinha, do Barcelona, tem 13 em nove jogos, então o ataque dos campeões está longe de estar quebrado.
Nosso veredicto
Encare isso como uma disputa real pelo título, não como um susto de uma noite. O Madrid merece ser tratado como candidato porque sua vitória foi construída sobre organização, e não apenas sobre um desvio e a finalização de Mbappé. O Barcelona segue favorito nos pontos, mas, até Flick mostrar que sabe responder à pressão sem ceder o espaço atrás da sua defesa, todo rival com pontas rápidos e um meio-campo paciente vai acreditar nas suas chances. A próxima pergunta é se Flick vai se adaptar. Se não for, "o mesmo erro" pode virar a marca da sua temporada.
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