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Redação Sportsfera
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O Flamengo não perdeu nos pênaltis: perdeu a noite em que não soube usar o homem a mais

Maracanã lotado, expulsão aos quatro minutos do segundo tempo e quase 75% de posse de bola. A queda do Flamengo na Libertadores foi falta de coragem e de ideias, não azar.

Publicado
23 de outubro de 2026
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Foto: Валерий Дед / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Dá mesmo para falar em azar quando você joga quase todo o segundo tempo com um a mais, diante da sua torcida, numa semifinal que precisava vencer em casa? É fácil chamar uma disputa de pênaltis de loteria. Nós achamos que a loteria só expôs o que os 90 minutos já tinham mostrado.

O que aconteceu: tudo deu certo até a bola chegar

Os fatos são simples. Depois do 0 a 0 na Argentina, o Flamengo precisava de um resultado no Maracanã. O Terra informa um público de 72.492 pessoas e um Flamengo com um jogador a mais desde os quatro minutos do segundo tempo, depois que Baltasar Rodríguez recebeu o segundo cartão amarelo. O gol não saiu. Nos pênaltis, Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique, e o Estudiantes está na final.

Casa cheia, superioridade numérica e um time que deu muito pouco para a torcida lembrar.

O homem a mais expôs um time sem plano B

O próprio Jardim disse, como cita o UOL, que o time teve quase 75% de posse de bola, mas pouca presença na área. Ele também admitiu que o Flamengo criou só duas ou três situações de gol. Esse é o problema inteiro. Posse de bola contra um bloco baixo de dez jogadores não é domínio; é circulação. O treinador disse que o time trocou muitos passes, mas teve pouco impacto, e que o jogo não melhorou com as substituições.

Segundo o Lance, a melhor chance do Flamengo no primeiro tempo foi uma cara a cara de Pedro com Muslera, desperdiçada. Nós iríamos além. Um time que ganha superioridade numérica deveria obrigar o adversário a defender onde não quer. Parecia que o Flamengo não exigia nada, só continuava rodando a bola diante de um bloco fechado.

Faltou instinto matador? Em parte. Jardim disse que os jogadores não tomaram as melhores decisões no terço final, embora também tenha assumido a responsabilidade e elogiado a temporada do grupo. É difícil conciliar tudo isso. Se as decisões foram ruins com 11 contra 10, é razoável perguntar o que a comissão técnica tinha preparado justamente para esse cenário.

As escolhas de Jardim: defensáveis no papel, fracas na prática

Feita a justiça: o treinador se explicou e assumiu a responsabilidade. A lógica para escalar Pedro no lugar de Bruno Henrique (mais jogo posicional, um gol no último jogo em casa contra o Estudiantes) é coerente. A ideia de colocar Arrascaeta entre as linhas contra um bloco baixo também é.

Mas veja o que essa escolha significava. Arrascaeta não jogava desde a cirurgia por fratura no punho esquerdo no início de outubro e, nas palavras do próprio Jardim, só treinou com o grupo nesta semana. Apostar a chance de quebrar um bloco num jogador que mal voltou é um risco, e riscos são julgados pelo resultado. Nossa opinião: o Flamengo precisava de velocidade e amplitude para esticar dez jogadores, não de mais alguém para receber a bola entre as linhas numa área congestionada.

E aí vêm os pênaltis. Jardim diz que os cobradores eram jogadores experientes que converteram 100% em dois treinos. Certo, mas pênalti de treino, sem nada em jogo, diz pouco. Três dos escolhidos erraram. É um mau resultado, não necessariamente um mau processo, e não colocaríamos a eliminação na conta dessa decisão. É exatamente o nosso ponto: a disputa de pênaltis é a parte menos interessante desta história. Foi a partida que deveria ter sido decidida antes.

E agora: o campeonato é a consolação, e também o teste

O Flamengo lidera o Brasileirão com 67 pontos, um a mais que o Palmeiras, com sete rodadas pela frente. O Palmeiras, segundo o Terra, já está na final da Libertadores contra o Estudiantes. É um contraste duro para um clube que chegou como atual campeão.

Nosso veredito: não foi infortúnio. Foi um time com talento e posse de bola, mas sem urgência na hora decisiva, e uma comissão técnica cujos ajustes não mudaram o jogo. Se o Flamengo quer que o campeonato cure essa ferida, a resposta começa na segunda-feira contra o Atlético-MG: mostrar um plano para quebrar um bloco baixo, e não apenas a capacidade de ficar com a bola diante de um.

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