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As nove vitórias seguidas do Barça são ótimas, mas o Clássico de Mourinho é o exame de verdade

O time de Flick igualou um recorde do Real Madrid de 1968-69, mas um Clássico contra Mourinho vai mostrar se há um sistema que funciona fora ou só uma sequência que engana.

Publicado
22 de outubro de 2026
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Um começo perfeito prova que existe um grande time ou só que ninguém o incomodou até agora? No domingo, 25 de outubro, às 21h no horário local da Espanha, o Barcelona terá a resposta, e quem segura a pergunta é José Mourinho.

Este é o cenário. Como informa o Goal, o time de Hansi Flick igualou o melhor início da história de LaLiga, nove vitórias em nove jogos, depois de vencer o Real Betis por 5 a 2. Isso empata com o Real Madrid de 1968-69. O Barça marcou 39 gols nesses nove jogos. Vencer o Madrid no Camp Nou significaria 10 em 10, uma marca que ficaria sozinha.

O Madrid chega com os próprios problemas. O time de Mourinho venceu o Leipzig por 4 a 1 na Champions League no meio da semana, e o treinador usou a entrevista pós-jogo para reclamar que seus jogadores terão 24 horas a menos de descanso que os do Barcelona, como observa o El Confidencial.

A sequência é real, mas não é isso que deve impressionar

Nove vitórias é manchete. Treze artilheiros diferentes é a história. O Goal aponta que este time não depende de um só homem, e achamos que isso importa mais do que o recorde em si. Sequências podem ser construídas com sorte na finalização e calendário fácil. Uma carga de gols tão bem distribuída indica uma estrutura que cria chances de várias formas.

Mesmo assim, precisamos ser honestos sobre o que os números não dizem. Os nove jogos incluem o do Betis, que terminou 5 a 2, o que é muito gol também para o outro lado. O Sports Mole observou no início de outubro que o Barça havia sofrido sete gols nos primeiros sete jogos do campeonato. Um time que marca 4,33 por jogo pode vencer defendendo solto. Contra a maioria dos adversários, ninguém pune isso. Contra um time de Mourinho, desconfiamos que alguém vai tentar.

A marca de Mourinho é deixar o adversário desconfortável

Mourinho não é um treinador que corre atrás do ritmo do jogo. Na nossa visão, ele tende a ditá-lo, e as próprias palavras dele sugerem isso: disse que seu time jogou o primeiro tempo contra o Leipzig "em ritmo baixo" e que "quando intensificamos o ritmo, é outra história". Soa como um treinador que acredita ter uma marcha a mais quando precisa.

Esse é o teste. O embalo leva um time quando os jogos correm a seu favor. Um sistema se sustenta quando a partida fica truncada, quando o adversário se fecha, quando um rival ataca no contra-ataque. Se a produção do Barça depende de ritmo e confiança, uma primeira hora travada e feia vai expor isso. Se depende de padrões que funcionam seja qual for o placar, o time continuará achando os espaços que os rivais não conseguiram fechar.

Nós apostamos no sistema. Flick venceu seis dos últimos sete confrontos com o Madrid, segundo a prévia do Aerobús Barcelona, e o título espanhol da temporada passada foi selado com uma vitória por 2 a 0 sobre eles no Camp Nou. Esse retrospecto pertence ao treinador, não à sequência atual. Também é a primeira vez que Flick e Mourinho se enfrentam, então o histórico vale até certo ponto.

Por que o Madrid é uma ameaça maior do que sua fase sugere

O Madrid não é o mesmo time que Flick vinha vencendo. Começou a temporada com três vitórias seguidas, e a volta de Mourinho ao Clássico é, esperamos, o tipo de jogo para o qual ele vai se preparar de forma obsessiva. A reclamação das 24 horas de descanso é, a nosso ver, em parte jogo de cena e em parte um problema real: os dois times jogaram a Champions League nesta semana, e o Madrid tem em breve uma viagem a Atenas e um jogo contra o Valencia com dois dias de intervalo. O Clássico é um raro momento em que ele pode pedir que os jogadores deem tudo.

Mourinho também disse que não existe confiança ao entrar num Clássico e que chamá-lo de jogo como outro qualquer é "mentir". Interpretamos isso como transferência de pressão. A pressão fica com o time que tem um recorde a perder.

Nosso veredito

O Barcelona deveria ser favorito em casa, e não apostaríamos contra. Mas o cenário interessante não é vitória ou derrota. É como ela vem. Uma vitória em que o Madrid seja forçado a defender recuado e o Barça ainda crie por vários lados mostraria que isso é um sistema. Uma vitória construída em um único tempo inspirado, ou um empate em que a máquina trava, mostraria que a sequência deveu muito ao calendário.

Nosso conselho: não julgue o Barcelona pela décima vitória. Julgue pelo que o time faz nos momentos em que Mourinho tirou as opções fáceis.

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