Chiefs contratam Justin Tucker: o processo da NFL, e não a perna dele, deve decidir
O contrato de Kansas City com Justin Tucker para o practice squad mostra como é barato perdoar especialistas de elite e por que o processo da liga deveria pesar mais que um teste perfeito.
Imagem gerada por IA
Quanto vale um teste perfeito de 30 chutes em 30? Na NFL, pelo visto, o suficiente para transformar um kicker sem contrato desde que foi dispensado em reforço do practice squad poucos dias depois de um domingo ruim.
Os fatos são simples. O Kansas City Chiefs contratou Justin Tucker para o practice squad, movimento que acontece depois de Harrison Butker errar chutes de 58 jardas (cerca de 53 m) e 45 jardas (cerca de 41 m) na derrota por 20 a 3 para o Seattle. Tucker não joga desde 2024. A liga o suspendeu por 10 jogos com base em sua política de conduta pessoal, depois que uma reportagem do Baltimore Banner apontou um padrão de má conduta sexual com massagistas. Ele negou as acusações, chamando-as de categoricamente falsas. Cumpriu a suspensão e ficou elegível para reintegração em novembro passado.
O Kansas City testou vários kickers na terça-feira e Tucker, segundo Tom Pelissero, do The Ringer, acertou os 30 chutes.
O processo funcionou. Essa é a parte desconfortável
Primeiro, sejamos justos. Tucker nunca foi acusado criminalmente, a liga investigou, impôs uma punição e ele a cumpriu. Se a política de conduta pessoal significa alguma coisa, um jogador que cumpre a punição pode voltar a trabalhar. Não vemos os Chiefs quebrando nenhuma regra aqui, e quem diz o contrário está fazendo outro argumento.
Mas esse outro argumento é o mais interessante. A suspensão veio após denúncias de, segundo o Yahoo Sports, 16 massagistas de oito spas da região de Baltimore, entre 2012 e 2016. Dez jogos foi o preço fixado pela liga. Achamos que muitos torcedores vão considerar esse número pequeno diante da dimensão do que foi alegado, e não acreditamos que a NFL tenha explicado de forma convincente como converte acusações em número de jogos. Uma punição opaca faz qualquer volta parecer brecha, mesmo quando não é.
Especialistas são perdoados mais rápido, e não achamos que seja por acaso
Esse é o duplo padrão, na nossa visão. Um kicker é um funcionário de uma habilidade só, então a conta de custo e benefício parece trivial: uma vaga no practice squad é um compromisso pequeno e oferece uma possível solução para uma fraqueza evidente. Butker acertou 11 de 16 nesta temporada e, segundo o KFVS, errou um ponto extra ou um field goal em 15 dos últimos 26 jogos de temporada regular. A necessidade é real.
É exatamente esse o problema. Quando a pergunta vira "ele resolve a nossa fraqueza?", a questão moral tende a sumir da conversa. Não sabemos o que os Chiefs ponderaram internamente, e nada na apuração diz isso. Mas apostamos que um linebacker no limite do elenco com o mesmo histórico não ganharia um teste na terça e um contrato na quarta. Talento de elite compra segundas chances com desconto, e o preço provavelmente cai ainda mais quando esse talento joga numa posição que os torcedores consideram quase burocrática.
Há também uma ressalva esportiva que vai contra o oba-oba. A última temporada de Tucker pelos Ravens foi a pior dele: segundo o AOL, ele acertou 73,3 % dos field goals, o pior índice da carreira. Ele está prestes a fazer 37 anos. Um teste perfeito é só um teste. Os Chiefs estão comprando a esperança de que o Tucker de antigamente, oito vezes All-Pro por uma contagem e cinco por outras (as reportagens divergem, então não vamos escolher), ainda exista.
O que a liga deve a todos
O critério certo não é "nunca mais". Exílio permanente sem uma conclusão transparente é outro tipo de injustiça, e Tucker tem o direito de trabalhar depois de cumprir a punição. O critério certo é um processo que o público consiga ler: o que foi investigado, o que foi apurado, o que a punição reflete e quais condições acompanham a volta. Hoje os times preenchem esse vazio com o próprio julgamento, e suspeitamos que esse julgamento pende para quem consegue resolver um problema de chutes.
Nosso veredito: a contratação é permitida, previsível e um pouco sombria. O Kansas City tem o direito de fazê-la, e nós temos o direito de dizer que uma liga que trata "ele cumpriu a suspensão" como ponto final exige pouco de si mesma. Corrijam o processo, publiquem o raciocínio, e essas decisões deixam de ser plebiscitos sobre a perna de um kicker. Até lá, esperem que o próximo especialista de elite com um problema também ganhe o seu teste.
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