Vitória da Juve diz menos sobre Spalletti do que sobre o elenco curto do Napoli
A Juventus enfim venceu um jogo grande, mas um Napoli sem Højlund e que perdeu De Bruyne e Di Lorenzo no intervalo conta mais do que qualquer aula tática.
Foto: Gianluca Scarfò / Wikimedia Commons (Public domain)
Foi um renascimento da Juventus ou um colapso do Napoli? Passe dez minutos com as crônicas italianas e você vai encontrar as duas histórias, mas só uma delas se sustenta quando você olha as escalações.
Vamos ao que aconteceu. A Juventus venceu o Napoli por 2 a 0 no Allianz Stadium, na 10ª rodada, com os dois gols no segundo tempo: Kerim Alajbegovic de longe e, no fim, Jérémie Boga, também de fora da área. A ESPN os chamou de golaços. Marianucci foi expulso por um segundo cartão amarelo poucos minutos depois do primeiro gol, então o chute de Boga saiu contra dez jogadores. A Juve vai a 17 pontos e ao sétimo lugar, segundo a cobertura da Serie A no Zazoom, enquanto o Napoli segue com 14.
Spalletti merece um respiro, não um troféu
Primeiro, o mérito. A Juventus chegou depois de uma derrota por 2 a 0 para o Genoa, passou dias concentrada e respondeu com uma vitória. Boga disse que a concentração uniu o grupo, e Spalletti, nas declarações após o jogo, elogiou os jogadores e a torcida. Isso conta para um treinador cujo cargo estava sob pressão.
Mas olhe como o jogo foi vencido. O primeiro tempo foi de ritmo baixo, com uma finalização de Cabal na trave e uma chance de Lucca defendida por Vicario. Os gols saíram de dois chutes de longa distância, um deles de um jogador que entrou do banco. Adoramos um bom chutaço, mas, na nossa visão, não dá para chamar de sistema repetível quando a evidência são dois momentos de qualidade individual. Nossa leitura: foi um bom resultado e uma reação decente, não a prova de que a estrutura da Juve foi consertada.
Vale notar também que as fontes nem sequer concordam sobre o desenho tático. Os relatos listam a Juve em 4-4-2, 4-2-3-1 e 4-3-3. Seja qual for o nome, as súmulas não mostram uma assinatura tática clara que possamos atribuir a Spalletti como motivo da vitória. É mais um motivo para não ler demais o resultado.
O Napoli perdeu por desgaste e por recuar demais
Agora, o Napoli. Højlund ficou de fora com gripe, o que colocou Lucca no time titular, segundo o Stabia Channel. No intervalo, saíram Di Lorenzo e De Bruyne, com De Bruyne descrito como um pouco cansado e longe do seu melhor. Allegri cumpria suspensão, então Landucci comandou o time à beira do campo. Marianucci, em sua estreia na temporada, levou amarelo no primeiro tempo e foi expulso no segundo.
É muita perturbação para um único jogo de 90 minutos. As notas do Calciomercato descreveram a noite de De Bruyne como a de um mortal comum e disseram que ele não é Lobotka naquela função mais recuada. Nós iríamos além: o Napoli montou seu meio-campo em torno de um criador que não estava em seu melhor e, quando ele saiu, ficou sem um plano evidente. O Stabia Channel diz que o Napoli recuou demais depois do intervalo, e as notas do CalcioNapoli24 reclamam que a equipe nunca atacou no segundo tempo.
É aqui que a frase do próprio Spalletti fica interessante. Ele disse que a Juve estava em dificuldade porque lhe faltavam jogadores, e não só isso. Poderia estar descrevendo qualquer um dos dois vestiários. A diferença, como vemos, é que a Juve tinha banco suficiente para mudar o jogo, com as entradas de Boga e Zhegrova, enquanto as mudanças do Napoli basicamente reorganizaram os mesmos problemas.
A Juve pode comemorar, mas quem deve se preocupar é o Napoli
Dividiríamos a responsabilidade assim: cerca de um terço para a qualidade da Juve nos momentos certos e o resto para a falta de profundidade do Napoli e para algumas decisões evitáveis, como o segundo amarelo de Marianucci. Mesmo antes do apito inicial, a prévia do El-Balad registrava que Fabio Cannavaro havia falado das lesões que o Napoli já pagou nesta temporada, e que Buongiorno está fora até o ano novo, enquanto Bremer era dúvida na Juve. Este jogo sempre seria moldado por quem estivesse em campo.
Nosso veredito, então: a Juve deve aproveitar a vitória do aniversário de 129 anos, mas ninguém deveria falar em ponto de virada até que ela encadeie atuações que não dependam de dois chutes de longe. Para o Napoli, a lição é mais desconfortável. Se o plano se apoia em De Bruyne, num centroavante de referência do tipo Højlund e numa defesa entrosada, e um único fim de semana leva metade disso, o problema não é um domingo ruim. É um elenco sem plano B. Isso, mais do que qualquer coisa que Spalletti tenha desenhado, é a história deste jogo.
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