Corinthians e Grêmio não são azarados: o rebaixamento é a conta da gestão
A matemática da tabela faz o rebaixamento parecer cara ou coroa, mas dois dos maiores clubes do Brasil pagam, a nosso ver, por falhas de gestão, e no caso do Grêmio por um padrão anterior a este ano.
Imagem gerada por IA
Quando dois dos maiores clubes do Brasil passam o fim de outubro contando quem precisa perder para eles escaparem do Z-4, ou saírem dele, será que o assunto é mesmo a tabela? Achamos que não. As calculadoras de cenários são reconfortantes porque transformam uma falha estrutural em aritmética. Mas a aritmética só diz onde você está, não como chegou lá.
A matemática é uma distração
Veja como estão as coisas. O Grêmio está na zona de rebaixamento com 31 pontos, e o GZH detalhou o que o time precisava antes do jogo de segunda à noite contra o Coritiba: uma vitória própria, mais tropeços de Corinthians e Inter no sábado. O Corinthians tinha 33 pontos nesse momento, logo fora da zona.
Os modelos de probabilidade contam a mesma história, com algum ruído. A CNN Brasil, citando o departamento de estatística da UFMG, calculou o risco do Corinthians em 41,1% após a derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, e o do Grêmio em 63,8%. Esses números são de 12 de outubro, outros modelos dão valores um pouco diferentes, e não nos apoiaríamos em um só. O ponto é mais simples: ninguém sério acha que um dos dois clubes esteja seguro.
Os modelos tratam um time como um conjunto de resultados. Não conseguem dizer por que os resultados continuam saindo assim.
O problema do Grêmio tem histórico, então não é azar
Sorte não se repete ao longo de três temporadas. Segundo um levantamento do ge de maio, nas três últimas edições do Brasileirão, 91 rodadas no total, o Grêmio passou 16 delas na zona de rebaixamento. Isso não é uma fase ruim fora da curva. Parece um clube que flerta com o precipício e, a nosso ver, trata cada escapada como prova de que o modelo funciona.
Outro detalhe deveria incomodar a diretoria do Grêmio mais do que qualquer planilha de cenários: o ge observou na semana passada que o Grêmio, assim como o Vitória, ainda não tinha vencido fora de casa. Um time que não ganha na estrada não tem margem para erro numa corrida decidida por resultados isolados. Para nós, isso parece um problema de elenco, e não de motivação. Pouca profundidade e falta de soluções confiáveis longe da torcida são provavelmente o que a reta final expõe.
A queda do Corinthians é em parte autoinfligida
O caso do Corinthians é mais direto. A análise do ge de 12 de outubro argumentava, a julgar pelo título e pelo resumo, que o clube brincava com o perigo e que os erros da diretoria aumentavam o risco de rebaixamento e aprofundavam uma crise técnica. Temos apenas esse título e esse resumo, então não fingiremos conhecer todas as decisões a que ela se refere. Mas o diagnóstico combina com as evidências que temos: a ESPN informou que o risco do clube passou de 30% após a sétima derrota seguida, e veio depois a derrota por 4 a 1 no clássico. Resultados assim não nascem de uma semana ruim; vêm de um time que ninguém conseguiu estabilizar.
Iremos além, como opinião: quando um clube desse tamanho tem uma crise técnica e uma diretoria que vira notícia pelos motivos errados, a tabela é só o recibo. Montagem do elenco, continuidade do treinador e tomada de decisão são as compras.
Uma escapada por pouco só esconderia a causa
Há um contra-argumento justo. Brigas contra o rebaixamento são brutais, as margens são minúsculas e dois resultados podem virar tudo. O Coritiba, por exemplo, esperava se beneficiar do jejum fora de casa de Grêmio e Vitória para apagar o próprio risco, o que mostra como a parte de baixo está apertada. Certo. Mas margens apertadas punem clubes sem profundidade e sem plano, e esse é o fio comum que vemos aqui.
Nosso veredito: parem de ler esses dois clubes pela calculadora. Se qualquer um dos dois se salvar, a resposta certa não é alívio, mas uma auditoria sobre como chegaram a precisar de uma calculadora. Escapar por pouco corrige a tabela e esconde a causa, e é assim que se volta ao mesmo lugar no outubro seguinte. Se algum cair, achamos que não será uma tragédia do destino. Será a fatura previsível da forma como o clube foi administrado.
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