A rotação de Abel contra o Remo é uma aposta no elenco que precisa dar resultado já
O Palmeiras poupou Flaco López e outros titulares diante de um Remo que luta contra o rebaixamento, a seis pontos do Flamengo: aposta defensável que só a vitória faz parecer inteligente.
Foto: NullReason / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
É coragem ou contabilidade quando quem persegue o título poupa alguns de seus melhores jogadores na 34ª rodada? Abel Ferreira escolheu a contabilidade, e achamos que foi a decisão certa. Mas isso também tira qualquer desculpa dele.
Abel rodou o time pensando na Copa e no Flamengo
Segundo o Lance!, Abel deixou Flaco López, artilheiro do clube em 2026, fora do time inicial. Entraram Khellven, Arthur e Bruno Fuchs, e o trio de ataque foi formado por Mauricio, Jhon Arias e Vitor Roque. O motivo declarado foi o desgaste físico antes do jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil, no domingo, contra o Vasco, em que o Palmeiras leva vantagem de 1 a 0 da ida.
O contexto deixa a aposta ainda mais arriscada. O Flamengo venceu o Grêmio e abriu seis pontos de vantagem, e os dois se enfrentam diretamente na 36ª rodada. O Palmeiras chegou à noite com 70 pontos e, de acordo com o futebolinterior, dez jogos sem perder no campeonato.
Elenco só vale se ganhar jogo
É fácil elogiar a rotação quando ela funciona e fácil zombar dela quando não funciona. O Remo luta contra o rebaixamento, então, no papel, é o lugar mais seguro para poupar jogadores. Mas as fontes divergem sobre o tamanho do problema do time: uma reportagem fala em 29 pontos, outra em 19. Não nos apoiaríamos em nenhum dos dois números. O raciocínio vale de qualquer forma: se vai rodar o time, faça isso contra o adversário que menos consegue puni-lo.
O verdadeiro teste é o padrão. Um time que se diz candidato ao título não deveria precisar de Flaco e Piquerez para vencer em casa um candidato ao rebaixamento. Se os reservas conquistarem os três pontos, Abel terá mostrado que o banco tem qualidade de verdade e que dá para brigar em duas competições ao mesmo tempo. Se tropeçarem, a diferença de seis pontos vai parecer muito maior, e a desculpa do jogo de copa soará fraca.
Vitor Roque é a verdadeira história
A volta de Vitor Roque ao time titular é o detalhe a observar. O Lance! lembra que ele foi titular pela última vez na vitória sobre o Corinthians, em 11 de outubro, e que teve minutos contra Santos e Vasco. Para um atacante, é muito tempo no banco e, na nossa avaliação, deixa o ataque sem uma hierarquia clara.
Vemos isso como um teste. O Palmeiras está com poucos atacantes: Ramón Sosa e Paulinho estão machucados, e Jefté está suspenso após um exame antidoping positivo. Roque não precisa ser espetacular, só bom o bastante para que Abel confie nele quando López ou Arias precisarem descansar. Isso seria um ganho muito maior que qualquer resultado isolado.
Cartões amarelos são o risco que a rotação não elimina
Seis jogadores, entre eles Arias, López e Barboza, entraram em campo a um cartão amarelo da suspensão para o próximo jogo do campeonato. O time cauteloso de Abel só ajuda em parte: Arias e Mauricio, ambos na lista, começam jogando de qualquer forma. Perder um jogador importante para o jogo contra o Cruzeiro por causa de um cartão desnecessário anularia todo o sentido de poupar alguém.
Nosso veredito
Rodar o time foi o certo: a semifinal da Copa e o confronto direto com o Flamengo são os dois momentos que provavelmente vão decidir a temporada do Palmeiras, e pernas cansadas são a forma mais provável de perder os dois. Mas um bom plano precisa de uma execução limpa. Se vencer, Abel ganha mais um marco (a vitória o deixaria sozinho na segunda posição entre os treinadores com mais vitórias pelo Palmeiras, à frente de Vanderlei Luxemburgo) e a prova de que há elenco. Se empatar, a aposta passa a parecer um luxo que a briga pelo título não permite. Numa perseguição com tão pouca margem, o elenco vale apenas o que render em campo.
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